O Curso de Biblioteconomia foi criado em 1974, como parte do esforço de expansão inicial da própria Universidade (criada em 20/08/1969), sendo bem recebido pela comunidade local, ansiosa por novas alternativas de formação profissional em nível superior (CABERLON, 2001, p. 159-70). No Estado, já funcionava o curso oferecido pela UFRGS, que supria apenas parcialmente a demanda potencial por bibliotecários. Em especial, havia o entendimento de que a demanda real ou potencial por bibliotecários dos municípios do interior do Estado não era adequadamente atendida, sendo que em Rio Grande se registrava a atuação de uma bibliotecária apenas. Embora não se tivesse feito um estudo de mercado, os proponentes do novo curso assumiram que o mesmo se destinava a suprir a demanda da própria Universidade recém criada e do vasto interior do Estado.

O curso entrou em funcionamento em março de 1975, com a oferta de 25 vagas. Os primeiros professores, que elaboraram o projeto do curso e assumiram a responsabilidade pelas disciplinas do núcleo profissionalizante eram oriundos da UFRGS – e foram agrupados no DBH, no qual foram alocadas aquelas disciplinas. Além destes, o curso contava com o aporte pedagógico e científico proporcionado por disciplinas ministradas por professores de outros departamentos, completando a formação geral e humanística que se oferecia aos alunos. O curso foi organizado em regime semestral, por disciplinas, com duração de três anos. A primeira turma iniciou seus estudos em março de 1975, sendo que os primeiros bibliotecários formados pela FURG colaram grau no final de 1977. Em momento posterior, alguns daqueles primeiros bibliotecários acabaram sendo contratados como professores do curso, fato este que se repetiu em outras oportunidades, o que pode ser explicado pela dificuldade em se atrair para Rio Grande (considerada uma cidade do interior, embora se situe no litoral) profissionais que obtiveram sua formação em Porto Alegre ou em outros grandes centros.

No início dos anos oitenta, acompanhando o movimento de reformas curriculares implementadas em outros cursos no país, em resposta às transformações sócio-culturais e técnicas, a COMCUR realizou a primeira reforma curricular, ampliando a duração do curso para quatro anos. O novo currículo entrou em vigor em 1983, mantendo-se com a mesma grade de disciplinas até o ano 2000, quando foi feita uma nova alteração curricular, circunscrita às disciplinas do núcleo profissionalizante, oferecidas pelo DBH. Este conjunto de disciplinas, avaliou-se à época, era o que mais fortemente vinha sendo impactado pelas aceleradas inovações tecnológicas, o que impunha o ajuste emergencial. Por outro lado, também foi consenso entre os professores que não se deveria promover uma reforma completa do currículo, por conta de deficiências institucionais e porque o MEC ainda não havia definido as diretrizes curriculares para os cursos de Biblioteconomia. Merece registro o fato de que houve aumento para 35 da quantidade de vagas oferecidas, em atendimento à política do Estado brasileiro de expansão de vagas nas universidades públicas. Outro fato relevante foi o novo tratamento dado aos estágios curriculares, que foram reunidos numa disciplina, Prática em Biblioteca, de 270 horas-aula (ou 18 créditos), oferecida no 8° período.

Entre aquela última alteração curricular e o presente momento, além do aprofundamento das transformações sócio-culturais e intensificação das inovações técnicas, registraram-se dois fatos cruciais que fizeram imperiosa a construção deste PPP: primeiro, o estabelecimento, pelo CNE, das Diretrizes Curriculares para os cursos de Biblioteconomia, que ocorreu em 2002; segundo, a aprovação do PPP da FURG, em 2004.

Ao longo destes 31 anos o Curso de Biblioteconomia da FURG construiu uma tradição, uma cultura, que se multiplica pela atuação de centenas de bibliotecários exercendo sua profissão numa miríade de entidades, instituições, órgãos governamentais e empresas, em vários estados brasileiros. O Curso, progressivamente, ultrapassou os limites do ensino de graduação, em muito estimulados seus professores por esta atuação de seus egressos.

É por aí que se compreende como foi possível, com um grupo pequeno de professores, empreender tantas iniciativas, que podem ser agrupadas em duas grandes linhas: uma, extensionista; outra, voltada para a educação permanente.

Na âmbito da extensão foram realizados múltiplos eventos, dentre os quais sobressai a Feira do Livro do Cassino, criada e organizada originalmente pelos professores da área de Biblioteconomia do DBH e que, devido ao seu crescimento, ganhou vida própria. Muito mais foi feito: parcerias com inúmeras entidades, com destaque para a Biblioteca Rio-Grandense; projetos junto à comunidade dos bairros; eventos, como o I Encontro de Bibliotecários no Interior, realizado em parceria com a Associação Rio-Grandense de Bibliotecários, que, pelo seu sucesso, gerou uma série continuada de eventos (EBINT´s), realizadas em diversas cidades do interior; o Simpósio Internacional de Biblioteconomia e Ciência de Informação do MERCOSUL; o Ciclo de Conferências em Biblioteconomia e Ciência da Informação; a Biblioteca na Praça, em parceria com as Bibliotecas Escolares do Rio Grande, dentre outros.

Na linha da educação permanente, o Curso, à medida que se consolidava, propiciou a realização de inúmeros cursos de aperfeiçoamento, constantemente renovados, ministrados por seus próprios professores ou por mestres convidados de outras instituições. Em 1987, em conjunto com a FABICO/UFRGS, foi oferecida uma edição do Curso de Especialização em Administração de Bibliotecas. Esta iniciativa estimulou a que professores da FURG, em parceria com o IBICT e com a colaboração de professores de outros departamentos da própria FURG e oriundos de outras instituições, organizassem, em 1991, o Curso de Especialização em Desenvolvimento e Gerenciamento de Sistemas de Informação em Ciência e Tecnologia. Foram oferecidas cinco edições deste Curso que, em 2003, em razão de aposentadorias de professores, foi suspenso, devendo sofrer reestruturação futuramente.

Estas ações ajudaram a consolidar e disseminar uma cultura biblioteconômica, que agora precisa ser recolhida e submetida ao escrutínio rigoroso da pesquisa, janela que vem sendo aberta, ampliando os horizontes por onde o Curso possa continuar sua trajetória.